domingo, 27 de outubro de 2013

KARL MARX


Karl Heinrich Marx (nascido, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista.
O pensamento de Marx influencia várias áreas, especialmente Filosofia, Geografia, História, Direito, Sociologia, Literatura, Pedagogia, Ciência Política, Antropologia, Economia e Teologia. Outras áreas também são influenciadas por seu pensamento,[carece de fontes] tais como Biologia, Psicologia, Comunicação, Administração, Turismo, Design, Arquitetura, entre outras.
As teorias de Marx sobre a sociedade, a economia e a política - conhecidas coletivamente como marxismo - afirmam que as sociedades humanas progridem através da luta de classes: um conflito entre a classe burguesa que controla a produção e um proletariado que fornece a mão de obra para a produção. Ele chamou o capitalismo de "a ditadura da burguesia", acreditando que seja executada pelas classes ricas para seu próprio benefício, Marx previu que, assim como os sistemas socioeconômicos anteriores, o capitalismo produziria tensões internas que conduziriam à sua auto-destruição e substituição por um novo sistema: o socialismo. Ele argumentou que uma sociedade socialista seria governada pela classe trabalhadora a qual ele chamou de "ditadura do proletariado", o "estado dos trabalhadores" ou "democracia dos trabalhadores".1 2 Marx acreditava que o socialismo viria a dar origem a uma apátrida, uma sociedade sem classes chamada de comunismo. Junto com a crença na inevitabilidade do socialismo e do comunismo, Marx lutou ativamente para a implementação do primeiro, argumentando que os teóricos sociais e pessoas economicamente carentes devem realizar uma ação revolucionária organizada para derrubar o capitalismo e trazer a mudança sócio-econômica.3
Em uma pesquisa realizada pela Radio 4, da BBC, em 2005, foi eleito o maior filósofo de todos os tempos.4 5 Além disso, Marx é normalmente citado, juntamente com Émile Durkheim e Max Weber, como um dos três principais arquitetos da sociologia moderna.6 Ainda em outro campo, a obra de Marx sobre economia lançou as bases para a compreensão atual do trabalho e de sua relação com o capital, muito influenciando o pensamento econômico subsequente.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

TEMPOS MODERNOS

 
 
 
O Filme Tempos Modernos (Modern Times) retrata o personagem Carlitos totalmente perdido numa sociedade que apresenta sinais da modernidade. Ele começa o filme trabalhando numa fábrica na qual o presidente os observa atentamente de sua sala através de câmeras.

O trabalho de Carlitos consiste na simples tarefa de apertar parafusos. De acordo com Karl Marx, as condições materiais determinam as formas de pensamento. Ou seja, para ele, Carlitos estaria alienado por não conhecer todo o processo de produção em série e apenas o trabalho de apertar parafusos ao qual fora submetido. Podemos perceber que, até mesmo depois de sair da fábrica, Carlitos continua a apertar parafusos de hidrantes e botões dos vestidos das mulheres que caminham pela rua. Servindo a assim para reforçar ideia de que o trabalho de produção em série torna o sujeito alienado.

Carlitos é tido como louco e é encaminhado a um hospital psiquiátrico. Esta transição da fábrica para o hospício nos remete a transição dos indivíduos dentro das instituições como bem descreve Michel Foucault em seu conceito de sociedade disciplinar.

Segundo Foucault, o poder disciplinar consistia na transição dos cidadãos dentre as mais variadas instituições como a Família, a Escola, o Hospital, a Fábrica e instituição suprema de poder disciplinar, o Presídio.

Esta sociedade disciplinar que, seguindo Foucault, perdurou até meados do século XX, disciplinava seus cidadãos fazendo-os transitar pelas mais diferentes instituições a fim de torná-los corpos dóceis. Ou seja, torná-los moldáveis de acordo com o interesse do Estado.

Porém, depois que deixa o hospício e encontra a fábrica fechada, Carlitos caminha pela rua e encontra uma bandeira que acabara de cair de um caminhão. A bandeira (supostamente vermelha, já que o filme é em preto e branco) reforça a ideia de manifestação comunista. Já que, logo em seguida, juntam-se a Carlitos inúmeros trabalhadores em tom de protesto.

Marx, afirma no Manifesto do Parido Comunista que a revolução é a força motriz para o desenvolvimento histórico da humanidade. E isto só é possível através de luta entre classes. Neste caso, sendo a burguesia, os opressores e o proletariado, os oprimidos. Carlitos, então, é preso como líder comunista e adentra a instituição disciplinar suprema descrita por Foucault, o Presídio.

Depois que cumpre a sua pena e ganha, mais uma vez, a liberdade, Carlitos encontra dificuldades para se estabelecer em algum emprego. Distante do modelo consumista, Carlitos já não sabe mais que rumo tomar e faz de tudo para retornar à prisão. Ele também conhece uma jovem com a qual irá sonhar ter uma casa e constituir uma família. No entanto, como ambos desconhecem os meios de produção da sociedade na qual estão inseridos, eles sonham que a casa ideal terá frutas a serem colhidas pela janela e vaca dando leite à sua porta.

O filme é uma ótima ilustração para questões descritas por Marx e conceitos de Foucault. E que consegue, graças ao brilhantismo do roteiro, atuação e direção de Charles Chaplin, fazer com que questões tão delicadas e pertinentes em nossa sociedade sejam retratadas de forma leve e sutil, mesmo num filme de humor.

EM BUSCA DA FELICIDADE

"Os homens devem cuidar não de suas riquezas, nem de suas honras, mas de si mesmo e de sua alma". Sócrates, citado do livro. "Sexualidade: Cultura, Ética e vida religiosa", 1999.

Atualmente vivemos em uma sociedade na qual o ser humano desesperadamente busca a felicidade, mas desde os primórdios da era humana o homem e a mulher já buscavam a felicidade, pois o homem descobriu que era capaz de gerar cultura e transformar a sociedade e o ambiente em que vive. O ser humano sempre foi insatisfeito e por isso, sente a necessidade de buscar a felicidade. Mas o que é felicidade? O que é realmente ser feliz? Onde o ser humano está buscando a felicidade? No carro, no dinheiro, no prazer exacerbado, na fama, no sucesso, no poder? Onde está a verdadeira felicidade? Eu fico pensando que se a felicidade tende a ser perene, então ela não pode estar nas coisas efêmeras, passageiras e transitórias. Então, onde está a felicidade? Com esses questionamentos meu intuito aqui é que nós possamos refletir um pouco sobre nós mesmos e ver para onde estamos caminhando, onde estamos buscando a felicidade.

Quando passamos em diversos lugares podemos constatar essa busca intensiva da felicidade. É uma verdadeira correria cotidiana. Quer um exemplo: é só darmos uma olhada ao nosso redor. No shopping, nos bares, nos trabalhos, nas ruas, nos pontos de ônibus, todo mundo lutando em busca da conquista de algo que possa trazer-lhe alegria e uma imediata felicidade. Porém, qual o sentido que o ser humano dá a vida? O que nós fazemos com o nosso tempo, aproveitamos ou ele nos domina? No entanto, surge uma pergunta: se a felicidade está no essencial como podemos encontrá-la no supérfluo, no transitório, no fugaz? Onde estamos buscando a felicidade?

Hoje se nota que mais do que nunca se vive uma paixão materialista. Porém, o mundo luta para conquistar coisas que lhe trazem felicidade. Mas essa conquista, exige coragem, bravura e renúncia. E para isso, o homem "deve sair das cavernas das paixões e da obscuridade para vivenciar a luz". As trevas, na qual Platão fala no mito da caverna, pois essas; "são as trevas do comodismo". "A paixão que mata a consciência e destrói a felicidade deve ser alijada e não se mistura com amor. O amor é o sentimento eterno e magnífico. A paixão é o sentimento pobre, passageiro, que colhe migalhas".

Tenho ouvido pessoas falar que faz algo não visando à felicidade, mas pelo seu dever, pois penso que essa afirmação é falsa. Entretanto, acredito que, consciente ou inconsciente toda ação humana tem como objetivo final à felicidade. Pois, "se todas as ações humanas têm como objetivo final à felicidade"; quem não faz algo com o intuito de ser feliz? "Acreditar nas habilidades humanas de construir uma convivência justa e feliz não é simples e nem tampouco tarefa para pessoas superficiais, que apenas assistem ao espetáculo cambiante das ações humanas, tendo a oportunidade de ora vaiar, ora ser aplaudida. Fazem isso, mas não sobem ao palco, porque tem medo de serem aplaudidas ou vaiadas".

Mas o que é realmente ser feliz? O que é preciso para ser feliz? Onde estamos buscando a felicidade? Nas coisas passageiras que o mundo nos oferece, no prazer desordenado, no materialismo? Se isso são coisas supérfluas, efêmeras e a felicidade está no essencial, será que encontraremos a felicidade? Mas então, o que é preciso para ser feliz? Essa pergunta grita no interior de muitas pessoas e muita das vezes se reflete intensamente no exterior humano, em busca da felicidade nas drogas, no sexo exacerbado, na prostituição, no alcoolismo, no vandalismo, na marginalização, etc. Mas o que é preciso para ser feliz?

O ser humano procura encontrar Deus através da fé, mas pode encontrá-lo também através da razão. Quando o homem ou a mulher procura Deus busca a vida feliz, porque só em Deus está a suprema felicidade. Dizia santo Agostinho: "Quando encontrei a verdade, encontrei o meu Deus". O ser humano está sempre em busca da felicidade. Se ele está, ele procura Deus, se ele busca Deus e somente em Deus está a felicidade, somente em Deus ele será feliz. "Minha alma está inquieta, enquanto não repousar em vós", dizia Santo Agostinho. Por isso, todo aquele que procura Deus, procura a verdadeira felicidade e longe de Deus o homem e a mulher não será feliz, será sempre inquieto, será sempre um peregrino que não vê sentido em seu caminhar, haja vista que todo mundo quer ser feliz. Por isso, o homem estará inquieto enquanto não repousar em Deus.

Deus habita na alma do ser humano, no íntimo do seu ser. "Procurar-vos-ei para que minha alma viva". Portanto, Deus é a vida de nossa vida. O corpo do ser humano vive de sua alma, por conseguinte sua alma vive de Deus. Deus habita o nosso coração. Se nós buscamos a Deus buscamos a felicidade e se Deus habita o nosso coração, somente lá encontraremos a plena felicidade. Então quem se volta para si, para sua interioridade, quem busca a vida interior, está em busca da felicidade.
A felicidade é inerente ao ser humano, todo homem e toda mulher quer ser feliz e busca ser feliz. Mas muitos não encontram porque vivem longe de si mesmos, ou seja, vivem procurando fora, enquanto a felicidade está dentro de nós, fora de nós só existe o vazio, a ilusão e fantasia. Por isso, que Santo Agostinho dizia: "Eis que tu estavas dentro de mim e eu te procuravas do lado de fora". Mas como procurar essa felicidade? Procurando Deus através da fé e da razão em nosso interior, em nossa alma. Não alcançarei enquanto não exclamar: basta, ei-la. Mas onde poderei dizer estas palavras? Poderemos dizer estas palavras somente quando nós nos encontrarmos face a face com o Senhor. A nossa vida é passageira, transitória e Deus mora na eternidade e somente quando nós nos encontrarmos com Deus face a face poderemos dizer: basta, eila, ou seja, eis aqui a verdadeira e eterna felicidade.

Penso que é preciso "amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, viver como Jesus viveu", enfim, seguir os exemplos de Jesus Cristo. Principalmente na sociedade em que vivemos que cada vez mais aumenta a injustiça, a falta de respeito e dignidade para com os outros. Pois, é necessário assumir e por em ação os valores e a ética de Jesus. Pois a "ética é o grande caminho para o encontro com a felicidade. Pois ninguém é feliz se não faz feliz o outro". Encontrar-se com Deus é encontrar-se com o outro.

Portanto, ser feliz é amar o outro de puro coração sem exigir nada em troca, é amar sem se deixar sufocar, é ser livre, é não se escravizar e nem escravizar o outro, é certamente amar como Jesus amou, pois o verdadeiro amor jamais escraviza, jamais oprime e jamais engana. Pois ser feliz é buscar a felicidade e não ter medo de renunciar o supérfluo, o efêmero para encontrar o essencial, o eterno. Devemos acreditar numa sociedade mais humana, justa e feliz. Todavia, onde estamos buscando a felicidade? Enfim, concluo com está frase de Gabriel Chalita: "Acreditar é um nunca deixar de ter esperança. É lançar-se e entender que somente na insegurança do vôo a águia prova que pode ser feliz. Eis nosso sonho. Eis nossa ação". Eis nosso desafio. Que Deus nos conceda a graça de sermos corajosos e lutar pela nossa felicidade e pela dos outros, cada um a partir de sua própria vocação. E juntos seremos felizes, nós e muito mais gente.

Nilton Gonçalves Menezes.

PRAGMATISMO, TRANSCENDÊNCIA E SEMIÓTICA

Pragmatismo:

O Pragmatismo constitui uma escola de filosofia, com origens nos Estados Unidos da América, caracterizada pela descrença no fatalismo e pela certeza de que só a ação humana, movida pela inteligência e pela energia, pode alterar os limites da condição humana.O Pragmatismo aborda o conceito de que o sentido de tudo está na utilidade – ou efeito prático – que qualquer ato, objeto ou proposição possa ser capaz de gerar. Uma pessoa pragmática vive pela lógica de que as ideias e atos de qualquer pessoa somente são verdadeiros se servem à solução imediata de seus problemas.

Transcendência:

A Transcendência é fazer um caminho ou percurso para o mais além do meu eu humano; é viajar pelo saber das outras realidades que nunca tinha passado pela mente do próprio sujeito em estudo, mas para o seu objeto, isto é, a realidade do que está a ser estudada; é descobrir aquilo que era o desconhecido; é largar-se do meu egocentrismo para conviver com os outros; é dar a vida para outra pessoa, e por aí fora.

Semiótica:

A semiótica provém da raiz grega ‘semeion’, que denota signo. Assim, desta mesma fonte, temos ‘semeiotiké’, ‘a arte dos sinais’. Esta esfera do conhecimento existe há um longo tempo, e revela as formas como o indivíduo dá significado a tudo que o cerca. Ela é, portanto, a ciência que estuda os signos e todas as linguagens e acontecimentos culturais como se fossem fenômenos produtores de significado, neste sentido define a semiose.
Ela lida com os conceitos, as idéias, estuda como estes mecanismos de significação se processam natural e culturalmente. Ao contrário da lingüística, a semiótica não reduz suas pesquisas ao campo verbal, expandindo-o para qualquer sistema de signos – Artes visuais, Música, Fotografia, Cinema, Moda, Gestos, Religião, entre outros.

TRABALHO, ALIENAÇÃO E CONSUMO


Alienação é a condição psico-sociológica de perda da identidade individual ou coletiva decorrente de uma situação global de falta de autonomia. Encerra portanto uma dimensão objetiva -- a realidade alienante -- e a uma dimensão subjetiva -- o sentimento do sujeito privado de algo que lhe é próprio.

Trabalho alienado
Será que o trabalho aliena o indivíduo? Para Marx existe sim o trabalho alienado. Este seria o trabalho que a sociedade industrial criou, a sociedade dominada pela produção de mercadorias. O trabalho que rompe a ligação entre o homem e sua atividade vital.

Consumo é o ato de a sociedade adquirir algo para atender as suas necessidades e seus desejos. Quando a pessoa compra de uma forma para aliviar sua ansiedade ou compra exageradamente e muitas vezes nem utiliza o produto, a pessoa se torna alienada. Oneomania é uma doença que atinge principalmente as mulheres, alguns dos sintomas que possam detectar a doença é o fato de a pessoa querer comprar tudo o que vê pela frente, se tornando viciado (a) em compras. As empresas devem estar sempre atentas e inovando a cada dia para atender as necessidades e os desejos de seus clientes.

OS TIPOS DE AMOR (EM BUSCA DA FELICIDADE)

É difícil de definir o amor, se pensarmos nas mais diversas conceituações que recebeu no corre da história humana, principalmente se levarmos em conta a especificidade desse sentimento, cujo sentido nos escapa. Assim disse o filosofo francês Roland Barthes: Que é que eu penso do amor? Em suma, não penso nada. Bem que eu gostaria de saber o que é, mas estando do lado de dentro, eu o vejo em existência, não em essência. [...] mesmo que eu discorresse sobre o amor durante um ano, só poderia esperar pegar o conceito “pelo rabo; por flashes, formulas, surpresas de expressão, dispersos pelo grande escoamento do imaginário; estou no mau lugar do amor, que é seu lugar iluminado: “o lugar mais sombrio, diz um proverbio chinês, é sempre embaixo da lâmpada.”.
Apesar dessas dificuldades, tentemos algumas delimitações do conceito. Em primeiro lugar, na linguagem comum, amor é usado em diversas acepções, desde as materiais – o amor ao dinheiro – até as religiosas, como o amor a Deus. Fala-se também do amor à pátria, ao trabalho e à justiça. É bem verdade que, em algumas dessas acepções, outros termos seriam mais apropriados, tais como o desejo de posse ao dinheiro, o interesse ou gosto pelo trabalho, o empenho moral na defesa da justiça e assim por diante.
Para evitar confusões, distinguiremos três tipos de amor: filía, ágape e eros.

a) Filía
O termo grego filía (philia) geralmente é traduzido por “amizade”. Trata-se do amor vivido na família ou entre os membros de uma comunidade. Os laços de afeto que o expressam são, em tese, a generosidade, o desprendimento e a reciprocidade, isto é, a estima mútua.
Além desse sentido geral, distinguimos a amizade propriamente dita, quando um vínculo mais forte une pessoas que se escolheram pelo que cada um é. Por isso Aristóteles explica que “os que desejam bem aos seus amigos por eles mesmos são os mais verdadeiramente amigos”. E conclui:
Mas é natural que tais amizades não sejam muito frequentes, pois que tais homens são raros. Acresce que uma amizade dessa espécie exige tempo e familiaridade. Como diz o proverbio, os homens não podem conhecer-se mutuamente enquanto não houverem “provado sal junto”, e tampouco podem aceitar um ao outro e este não depositar confiança nele. Os que não tardam a mostrar mutuamente sinais de amizade desejam ser amigos, mas não o são a menos que ambos sejam estimáveis e o saibam; porque o desejo da amizade pode surgir depressa, mas a amizade não.

b) Ágape
Ágape, do grego agápe, significa “amor fraterno”. Entre os cristãos primitivos, terno designava as refeições fraternais, em que se reuniam ricos e pobres, daí o sentido de “caridade”, de “amar ao próximo como a si mesmo”.
Esse tipo de amor não supõe reciprocidade, por que se ama sem esperar retribuição, assim como independe do valor moral do individuo que é objeto de nossa atenção. Em termos profanos—não mais religiosos --, trata-se da benevolência universal, a fraternidade pelo qual zelamos pelos outros.

c) Eros
Eros refere-se às relações que costumamos chamar de amorosas propriamente ditas.
Diferentemente das outras expressões de amor já citadas, a paixão amorosa está associada á exclusividade e à reciprocidade. Por isso, ao contrario da tradição, que caracteriza o ser humano apenas como racional, poderíamos vê-lo também como “ser desejante”, tal é a força que impulsiona a busca do prazer e da alegria de conquistar o amado. Esse desejo, porém, não visa apenas a alcançar o outro como objeto. Mais que isso, busca o reconhecimento do amado, quer capturar sua consciência, porque o apaixonado deseja o desejo do outro.
É de tal ordem a força desse impulso que foi necessário o controle dos instintos agressivos e sexuais, para que a civilização pudesse existir. O mundo humano organizou-se com a instauração da lei e, consequentemente, com a interdição, pois as proibições estabelecem regras que tornam possível a vida em comum.
No entanto, a sexualidade humana não é simplesmente biológica, não resulta exclusivamente do funcionamento glandular nem se submete á mera imposição de regras sociais. Embora a atividade sexual seja comum aos animais, apenas os humanos a vivenciam como erotismo, como busca psicológica, independentemente do fim natural dado pela reprodução. A sexualidade humana é portanto a expressão do ser que deseja, escolhe, ama que se comunica com o mundo e com o outro, numa linguagem tanto mais humana quanto mais se exprime de maneira pessoal e única.

FILOSOFAR É APRENDER A MORRER...

Michel de Montaigne
Diz Cícero que filosofar não é outra coisa senão preparar-se para a morte. Isso, talvez, porque o estudo e a contemplação tiram a alma para fora de nós, separam-na do corpo, o que, em suma, se assemelha à morte e constitui como que um aprendizado em vista dela. Ou então é porque, de toda sabedoria e inteligência, resulta finalmente que aprendemos a não ter receio de morrer. Em verdade, ou nossa razão falha ou seu objetivo único deve ser a nossa própria satisfação, e seu trabalho tender para que vivamos bem, e com alegria, como recomenda a Sagrada Escritura [Eclesiastes 3,12:“Então compreendi que não existe para o homem nada melhor do que se alegrar e agir bem durante a vida”]. 
Todas as opiniões propõem que o prazer é a meta da vida, mas diferem no que concerne aos meios de atingir o alvo. E, se assim não fosse, as repeliríamos de imediato, pois quem daria ouvido a alguém que apontasse a pena e o sofrimento como os objetivos da existência? A esse respeito, as dissensões entre seitas filosóficas são puro palavrório: “deixemos de lado essas sutilezas” (Sêneca); em tais discussões entra mais obstinação e picuinha do que convém à ciência tão respeitável. Mas em qualquer papel que se proponha desempenhar põe o homem um pouco de si mesmo.
 Digam o que disserem, na própria prática da virtude o fim visado é a volúpia. E agrada-me repetir essa palavra que pronunciam constrangidos. E, se significa prazer supremo e extremada satisfação, melhor se deva ela à virtude do que a qualquer outra causa, pois volúpia, robusta e viril, é a mais seriamente voluptuosa. E deveríamos chamá-la prazer, denominação mais feliz e mais natural, do que a de vigor que lhe damos. Quanto à volúpia de ordem menos elevada, se acreditam que mereça igual nome, que o mantenham, mas não com exclusividade. Mais do que a virtude, tem ela seus inconvenientes e seus momentos difíceis; além de serem mais efêmeras as sensações que nos procura, e mais fluidas e fugidias, tem suas vigílias, seus jejuns, suas penas, seu suor e sangue. Paixões de toda sorte influem nela, e redunda ela em tão pesada saciedade, que equivale a uma penitência. É erro nosso imaginar que tais inconvenientes a estimulam, e a condimentam, em razão dessa lei da natureza que afirma tudo se fortalecer ante o obstáculo encontrado; e erro é também pensar que, quando se trata de volúpia proveniente da virtude, semelhantes dificuldades a acabrunham e a tornam austera e inacessível.